Outubro 2026

                                                                             







Outubro de 2026













Uma supernova pode esconder outra


Imagem composta combinando diferentes comprimentos de onda da região de IC 443. As emissões gama formam uma estrutura extensa que inclui IC 443 e G189.6+3.3.

   A estrela que explodiu para dar origem à nebulosa da Medusa pertencia a um sistema binário. E o seu companheiro teria também explodido em supernova.

    A nebulosa da Medusa (IC 443) é um dos vestígios de supernovas mais estudados, porque esta nuvem de gás e poeira expelida durante a explosão de uma estrela no fim da sua vida, também chamada de “remanescente”, pertence à família restrita daquelas que emitem radiação gama intensa. O seu vizinho imediato, G189.6+3.3, pelo contrário, era bastante discreto. Descoberto em 1994, este objeto também era considerado como um possível remanescente de supernova, sem que fosse possível confirmar isso. Nos últimos anos, os indícios, no entanto, acumularam-se. Eles corroboraram a sua natureza, sem, no entanto, estabelecer conexão com a IC 443. Agora, é a origem comum dos dois remanescentes num sistema binário que Miltiadis Michailidis, da universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e os seus colegas vieram revelar. "Estimamos que perto de 80 % das estrelas massivas que produzem as supernovas que nos interessam evoluem em sistemas binários", indica Marianne Lemoine-Goumard, do Laboratório de física dos dois infinitos em Bordéus, que participou neste estudo sobre a nebulosa da Medusa. "No entanto, detectar dois vestígios de supernovas associados a estes sistemas binários é muito difícil. Por duas razões. Durante a explosão de cada estrela, o sistema corre o risco de se desintegrar. A perda abrupta de matéria é frequentemente assimétrica e o impulso produzido pode separar os dois objetos. A segunda limitação é temporal: é necessário que o intervalo entre as duas explosões seja inferior a 100 000 anos para que a emissão do remanescente não se dilua completamente." Miltiadis Michailidis e os seus colegas analisaram dezasseis anos de dados do telescópio Fermi para mapear melhor a região. Mostraram que o remanescente G189.6+3.3 se divide em duas partes. A parte ao "norte" emite uma assinatura que indica que interage com uma nuvem de gás de hidrogénio, chamada S249. Ora, a IC 443 já era conhecida por interagir com esta nuvem. Isso coloca os dois remanescentes a uma distância semelhante de nós, cerca de 6 000 anos-luz. Ao cruzar estas observações com simulações de populações de estrelas binárias massivas, a equipa propõe que estes dois remanescentes provêm da deflagração em supernova de duas estrelas pertencentes ao mesmo sistema binário. Os investigadores estimam o intervalo entre as duas explosões entre 20 000 e 100 000 anos, sendo a IC 443 a mais recente, com uma idade provável estimada entre 8 000 e 9 000 anos..
Fonte: Pour la Science, outubro de 2026, p. 10
Sean Bailly  (adaptado)


   
Neutrinos vindos de longe


Vista do interior da experiência Super-Kamiokande durante a fase de melhoria dos detectores em 2018. A água do tanque quase foi esvaziada

  À escala da galáxia, as explosões de estrelas em supernovas são raras: cerca de uma por século. Mas na escala do Universo observável, estes cataclismos acontecem várias vezes por segundo. Ora, quando o núcleo de uma estrela massiva colapsa e depois explode, mais de 99% da energia é emitida sob a forma de neutrinos, partículas ultraleves que atravessam todo o cosmos. Por isso, estamos imersos num banho composto por estes neutrinos, chamado de «fundo difuso de neutrinos de supernovas». Detectar este banho não é fácil, porque os neutrinos são difíceis de detetar: quase não interagem com a matéria, apenas através da interação fraca. Para tentar observá-los, a experiência Super-Kamiokande dispõe de uma enorme cisterna de 50 000 toneladas de água rodeada de sensores, situada numa caverna escavada sob uma montanha no Japão. A dificuldade está em distinguir este fundo de neutrinos das outras fontes (como a radioatividade natural, o Sol, etc.), que na maioria são mais próximas e intensas. As supernovas têm a particularidade de emitir neutrinos de todos os «sabores» (electrónico, muónico e tauónico), bem como as respetivas antipartículas. Para isolar um sinal proveniente do fundo difuso das supernovas, os cientistas concentraram-se nos antineutrinos eletrónicos com energia entre 10 e 100 megaelectronvolts. Ao acumular as observações feitas quase continuamente desde 2008, os cientistas estimam o fluxo do fundo difuso de neutrinos de supernovas em 3,6 partículas por segundo por centímetro quadrado. No entanto, a incerteza ainda é grande e é cedo para reivindicar uma descoberta com certeza. O Super-Kamiokande continuará a recolher dados até 2029. O seu sucessor, o Hyper-Kamiokande, ainda maior, já está em construção.

Fonte: Pour la Science, outubro de 2026, p. 13
Sylvain Guilbaud  (adaptado)





Outubro

O odor do pai 




   O cheiro materno é conhecido por acalmar os recém-nascidos. E o do pai? Uma equipa da universidade Reichman, em Israel, demonstrou que durante uma interação, o cérebro de um bebé sincroniza-se mais com o de um estranho quando este usa uma T-shirt impregnada com o cheiro do pai, especialmente em frequências características da regulação da atenção. Quanto mais o pai cuida do seu filho, mais forte é a sincronização.

A estrela rainha do sprint


Graças ao instrumento Gravity+ do VLTI, no Chile, Karim Abd El Dayem, do observatório de Paris, e os seus colegas descobriram a S301, a estrela mais próxima do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea. E quando passa a uma distância equivalente à que separa o Sol de Saturno, a S301 move-se a uma velocidade recorde de 25 000 quilómetros por segundo. Com esta proximidade, a trajetória elíptica do astro é sensível aos efeitos relativistas devido à rotação do buraco negro.


Os chimpanzés têm sotaques


Diferentes grupos destes primatas apresentam variações nas suas assinaturas vocais. Resta entender a sua origem: genética, social, ambiental? Kassandra Giragosian, da Universidade Queen Mary, em Londres, e dois colegas abordaram a questão estudando os sons emitidos por jovens e adultos. Já existem diferenças nos juvenis, mas elas tornam-se mais marcantes com a idade, o que sugere uma influência importante do vínculo social e ambiental.


Fonte: Pour la Science, outubro 2026 



O que posso observar no céu de outubro?



01 - Auge da chuva de meteoros Sextantids Diurnas
01 - Lua no perigeu a 369 391 Km da Terra - 21:41
05 - Lua a 0,1ºS de Marte - 06:30
06 - Auge da chuva de meteoros Camelopardalids de outubro
07 - Lua a 1,4ºS de Regulus - 03:57
09 - Auge da chuva de meteoros Dracónidas de outubro
10 - Cometa 88P/Howell - 01:00
11 - Auge da chuva de meteoros Delta - Aurigídeos de outubro
14 - Lua a 1,7ºS de Antares - 21:25
16 - Lua no apogeu a 406 214 Km da Terra - 23:56
18 - Auge da chuva de meteoros Epsílon Geminídeos
21 - Auge da chuva de meteoros Oriónidas
24 - Auge da chuva de meteoros Leo Minorídeos
27 - Ocultação das Plêiades pela Lua - 22:07
28 - Lua no perigeu a 365 079 Km da Terra - 18:01 
25 - Auge da chuva de meteoros kapa-Leónidas Diurnas





Fases da Lua em outubro


                10 - às 16h 50min - nova

                18 - às 17h 13min - crescente

                26 - às 04h 12min - cheia
       
                03 - às 14h 25min - minguante

            
          










Planetas visíveis a olho nu em outubro


MERCÚRIO - Neste mês não é visível.

VÉNUS - Neste mês não é visível. 
 
MARTE - Marte por volta das duas da manhã no início do mês e vai nascendo cada vez mais cedo. Pode ser visto toda a noite. Põe-se por volta das 7:30. 

JÚPITER - Pode ser avistado a partir das três e meia da manhã. Põe-se ao crepúsculo matutino. 

SATURNO - Pode ser avistado toda a noite a partir as 19:30 até quase às oito da manhã.

Fonte: APP Sky Tonight






(para localizações aproximadas de 41.1756ºN, 8.5493ºW)

DataMagnitudeInícioPonto mais altoFimTipo da passagem
(mag)HoraAlt.Az.HoraAlt.Az.HoraAlt.Az.
3 de out-3,018:51:0410°NNO18:53:5432°NE18:53:5432°NEvisível
4 de out-0,919:41:2110°O19:43:2517°OSO19:43:2517°OSOvisível
5 de out-2,218:53:2010°ONO18:56:2636°SO18:59:3310°SSEvisível
8 de out-1,204:55:4810°S04:58:3423°SE05:01:1910°ENEvisível
8 de out-0,718:09:2510°O18:11:3416°SO18:13:4410°SSOvisível
9 de out-0,404:10:2010°SE04:11:2211°SE04:12:2310°ESEvisível
10 de out-3,704:57:3010°SO05:00:4955°NO05:04:0710°NNEvisível
  
Como usar esta grelha

Coluna Data - data da passagem da Estação;
Coluna Brilho/Luminosidade (magnitude) - Luminosidade da Estação (quanto mais negativo for o número maior é o brilho);
Coluna Hora - hora de início, do ponto mais alto e do fim da passagem;
Coluna Altitude - altitude medida em graus tendo o horizonte como ponto de partida 0º;
Coluna Azimute - a direção da Estação tendo o Norte geográfico como ponto de partida.

Fonte: http://www.heavens-above.com/



Vídeo do Mês



Supernovas Explicadas: As Maiores Explosões do Universo

(Quando necessário, para ativar as legendas automáticas proceder do seguinte modo: no canto inferior direito clicar no símbolo "roda dentada"; abrem-se as Definições; clicar aí e escolher Legendas; depois clicar em Traduzir Automaticamente; finalmente escolher Português na lista.)


Imagem do Mês

Os fantasmas de cinco supernovas
   


    Os fantasmas de cinco supernovas assombram esta imagem extraordinária. Foi obtida no Observatório de Oukaïmeden, em Marrocos, com aproximadamente 200 horas de observações, e mostra uma grande área do céu, equivalente à área de mil luas cheias unidas juntas, na constelação de Auriga. Da esquerda para a direita, as cinco remanescentes supernovas visíveis na imagem são G181.1+9.5, G182.4+4.3, G179.0+2.6, G180.0−1.7 (Sh2-240, a Nebulosa do Spaghetti) e G178.2−4.2. Elas estão junto do aglomerado aberto M37 e a Nebulosa Girino. À medida que cada explosão se expandia pelo espaço, criava uma camada crescente de gás e delicadas estruturas filamentosas vistas em vermelho (hidrogénio) e azul (oxigénio), respectivamente. Essas antigas explosões estelares aconteceram de forma independente; elas estão a várias distâncias, chegando a vários milhares de anos-luz da Terra e as suas idades estimam-se em dezenas de milhares de anos. Os primeiros humanos podem tê-las visto como novas estrelas brilhantes, desaparecendo ao longo de semanas ou meses.

Fonte: www.nasa.gov



Livro do Mês



Sinopse

Em 2023, centenas de figuras destacadas na área da IA assinaram uma carta aberta alertando para o facto de a inteligência artificial representar um sério risco de extinção da humanidade. Desde então, a corrida à IA apenas se intensificou. Empresas e países competem para construir máquinas que serão mais inteligentes do que qualquer pessoa e o mundo está devastadoramente impreparado para o que poderá acontecer a seguir.
Há décadas que dois dos signatários dessa carta - Eliezer Yudkowsky e Nate Soares - estudam a forma como inteligências mais inteligentes do que os humanos irão pensar, comportar-se e prosseguir os seus objetivos. A sua investigação indica que IA suficientemente avançadas irão desenvolver metas próprias, que as colocarão em conflito connosco - e que, se esse conflito se concretizar, uma superinteligência artificial vencerá. Não será sequer um confronto renhido.
Como poderia uma máquina superinteligente exterminar a nossa espécie? Por que razão o faria? Chegaria sequer a querer alguma coisa? Neste livro urgente, Yudkowsky e Soares expõem a teoria e as provas, apresentam um cenário plausível de extinção e explicam o que seria necessário para a humanidade sobreviver.
O mundo está em plena corrida para criar algo verdadeiramente novo debaixo do sol e se alguém o criar, morremos todos.

Sobre os autores:




  Eliezer Yudkowsky é um dos pioneiros do campo do alinhamento de IA – garantir que os sistemas de inteligência artificial seguem objetivos e valores humanos de forma segura – e cofundador do Machine Intelligence Research Institute (MIRI).
Com um trabalho influente que se estende por mais de vinte anos, Yudkowsky tem desempenhado um papel decisivo na formação do debate público sobre IAs mais inteligentes do que nós. Em 2023, integrou a lista da revista Time das 100 Pessoas Mais Influentes em IA e tem sido tema de artigos ou entrevistas na New Yorker, Newsweek, Forbes, Wired, Bloomberg, The Atlantic, The Economist e no Washington Post, entre outros.



Nate Soares é presidente do MIRI. Trabalha neste campo há mais de uma década, depois de ter passado pela
Microsoft e pela Google. É autor de um vasto conjunto de textos técnicos e semitécnicos sobre alinhamento de IA, incluindo trabalhos de referência sobre aprendizagem de valores, teoria da decisão e incentivos ao reforço de poder em IAs mais inteligentes do que nós.

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