Novembro de 2026

                                                                    







Novembro de 2026













A Europa já ardia no... Triássico

Esporos que mantiveram a sua cor (à esquerda) e outros que escureceram devido a um incêndio (à direita).


  Há 201 milhões de anos, um aquecimento climático devastou as florestas de coníferas da Europa, substituídas por savanas de fetos que se incendiaram repetidamente. Um episódio que lança luz sobre as ondas de calor e os incêndios do verão de 2026.

   Ondas de calor seguidas, dezenas de milhares de hectares e habitações destruídas por incêndios, populações deslocadas… o verão de 2026 vai ficar na memória durante muito tempo. Os climatologistas indicam há muitos anos que um aumento das temperaturas conduz a uma maior frequência de episódios extremos e que a rapidez das mudanças climáticas desestabiliza os equilíbrios ecológicos. Uma situação semelhante ocorreu há 201 milhões de anos, no final do Triássico: o vulcanismo maciço ligado à fragmentação do supercontinente Pangeia libertou grandes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera. Em poucos séculos, a temperatura aumentou 3 a 4°C. Este episódio geológico está hoje firmemente associado à extinção em massa de invertebrados marinhos e vertebrados terrestres, marcando a transição Triássico-Jurássico. E do lado da flora? As extinções foram limitadas. No entanto, os ambientes foram fortemente perturbados. Esta é a conclusão da equipa internacional liderada por Teuntje Hollaar e Bas van de Schootbrugge, da Universidade de Utrecht, nos Países Baixos, que estudou o registo fóssil de pólen e esporos do Noroeste da Europa. Desde os anos 2000, palinólogos (especialistas em pólen e esporos atuais e fósseis) tinham identificado, em núcleos recolhidos em vários bacias sedimentares distintas desta região, a presença de uma camada escura, bem definida e datada do final do Triásico. Qual era a sua origem? Bas van de Schootbrugge e os seus colegas basearam-se num resultado obtido em 2025 pela equipa de Matthew Kent, da Universidade de Nottingham, no Reino Unido. Esta última mostrou que existe uma relação entre a cor dos esporos ou do pólen e a temperatura a que são aquecidos. Tipicamente, os esporos de plantas perenes do género Lycopodium tornam-se castanho-escuros acima de 600 °C, uma temperatura próxima da dos incêndios florestais. Os investigadores mediram a cor de vários milhares de grãos ao microscópio, seguindo dois táxons independentes: pólen de uma família de coníferas hoje desaparecidas e de esporos de samambaias. A história que se desenha é a de um clima brutalmente aquecido, associado a secas e a episódios de chuva extrema, que provocou o declínio das florestas de coníferas na Europa. Neste cenário devastado, samambaias e licopódios (plantas pioneiras de crescimento rápido) formaram vastas savanas. Uma vez secas na estação quente, esta vegetação densa tornou-se um combustível ideal para fogos intensos e frequentes; ao crescer rapidamente, as samambaias mantiveram este regime de incêndios durante, segundo as estimativas dos investigadores, várias dezenas a algumas centenas de milhares de anos. As consequências de incêndios repetidos a longo prazo são alvo de muitos debates entre os investigadores: que transformações induzem no ecossistema e quão resistente ele é? A lição que se pode retirar do final do Triássico é que a transformação pode ser profunda.
Fonte: Pour la Science, novembro de 2026, pp. 6-7
Sean Bailly  (adaptado)


   
Uma «exolua» semeia a confusão (ver Breves de Agosto de 2026)


Vista artística do sistema CD-35 2722 com a sua estrela (ao fundo), a sua anã castanha (em primeiro plano) e o companheiro desta última.


  No Sistema Solar, a situação é bastante simples: oito planetas orbitam uma estrela, o Sol, e alguns desses planetas têm uma ou várias luas. O sistema CD-35 2722, por sua vez, não se deixa caracterizar tão facilmente. Ele é composto por uma estrela com 0,4 massa solar e uma anã castanha, 37 vezes mais massiva que Júpiter. As anãs castanhas constituem uma família de objetos intermédios entre planetas e estrelas, sem equivalente no Sistema Solar. Mas foi a descoberta da equipa liderada por Kevin Hoy, do ESO e da Universidade Diego Portales, em Santiago, no Chile, que tornou este caso um verdadeiro dilema para a classificação de objetos astrofísicos. Usando o VLT (Very Large Telescope), os investigadores mostraram que a anã castanha tem um companheiro, a que chamam de “exossatélite”. Este termo é intencionalmente neutro, porque “este sistema é bastante difícil de definir usando palavras do Sistema Solar, como ‘planeta’ e ‘lua’”, explica Kevin Hoy. A massa do exossatélite ainda não está perfeitamente medida. Estima-se que seja pelo menos 0,9 massa joviana, o que representa cerca de 2% da da anã castanha, uma estimativa que poderia ser inferior à sua massa real. Ora, a definição de trabalho da União Astronómica Internacional estabelece que um objeto em órbita de uma estrela ou de uma anã castanha é considerado planeta desde que a sua massa seja inferior a 4% da do seu hospedeiro. “Isso colocar-nos-ia numa situação bastante engraçada, em que o satélite seria demasiado massivo para ser um planeta, mas demasiado leve para ser ele próprio uma anã castanha”, explica Kevin Hoy. Nesse caso, não teria qualquer classificação oficial. “Uma categoria específica para objetos em órbita ao redor de anãs castanhas poderia ser útil”, conclui o investigador.

Fonte: Pour la Science, outubro de 2026, p. 7
Adrien Denèle  (adaptado)





Novembro

Sonhos na teia: o sono REM das aranhas saltadoras

Investigadores alemães analisaram o sono de aranhas saltadoras. Este possui características semelhantes às dos vertebrados, incluindo um estado semelhante ao sono REM. O seu aparecimento precoce na história evolutiva levanta questões para os cientistas sobre a origem e as funções dessa fase.

Primeira batalha naval de drones marinhos


Navios não tripulados estão a lutar no Mar Negro. Em 12 de setembro, a marinha ucraniana anunciou que um dos seus drones de superfície, o Sargan-3000, destruiu uma nave robótica russa usando uma metralhadora de 12,7 mm operada remotamente. A Ucrânia apresenta o confronto como a primeira batalha naval entre dois drones da história. Um novo passo na robotização do combate no mar.


63ºC é a temperatura recorde para uma forma de vida


Uma ameba, descoberta numa fonte termal da Califórnia, ainda se consegue reproduzir a uma temperatura de 63ºC, um recorde para um eucarionte. Chamada Incendiamoeba cascadensis, pode sobreviver, durante cinco minutos, nos 70ºC. As adaptações celulares que permitem que ela suporte esse calor podem lançar luz sobre os limites térmicos da vida complexa.


Fonte: Science et Vie, outubro 2026 



O que posso observar no céu de novembro?



05 - Auge da chuva de meteoros Táuridas do Sul 
11- Lua a 0,1ºN de Antares - 02:27
12 . Auge da chuva de meteoros Táuridas do Norte 
13 - Lua no apogeu a 403 729 Km da Terra - 17:50
15 - Marte a 0,9ºN de Júpiter - 02:42
17 - Auge da chuva de meteoros Leónidas
20 - Lua a 5,6ºN de Saturno - 20:02
22 - Auge da chuva de meteoros alfa-Monocerotídeos
25 - Lua no perigeu a 355 911 Km da Terra - 20:58
25 - Lua a 4,8ºN de Aldebaran - 03:46
26 - Marte a 1,7ºN de Regulus - 05:49
28 - Auge da chuva de meteoros Oriónidas de Novembro





Fases da Lua em novembro


                09 - às 07h 02min - nova

                17 - às 11h 48min - crescente

                24 - às 14h 53min - cheia
       
                01 - às 20h 28min - minguante

            
          










Planetas visíveis a olho nu em novembro


MERCÚRIO - Neste mês pode ser visto no crepúsculo matutino, a partir do dia 10, e por volta das seis da manhã. O seu ocaso ocorre por volta das sete e um quarto.

VÉNUS - Neste mês pode ser visto no crepúsculo matutino, a partir do dia 2, e por volta das seis da manhã. O seu ocaso ocorre por volta das sete e cinco minutos. 
 
MARTE - Marte pode ser visto a partir da meia-noite. Põe-se por volta das 7:05, no princípio do mês, indo gradualmente desaparecendo mais tarde. 

JÚPITER - Pode ser avistado a partir da meia-noite. Põe-se, no início do mês, a partir das 07:05 e vai gradualmente desaparecendo mais tarde. 

SATURNO - Pode ser avistado toda a noite a partir das 17:30.  O seu ocaso ocorre por volta das 04:37 no início do mês, indo gradualmente desaparecendo mais cedo.

Fonte: APP Sky Tonight






DataMagnitudeInícioPonto mais altoFimTipo da passagem
(mag)HoraAlt.Az.HoraAlt.Az.HoraAlt.Az.
1 de nov-3,605:30:4245°NNO05:31:3468°NE05:34:5610°ESEvisível
2 de nov-1,504:45:2625°E04:45:2625°E04:47:1010°ESEvisível
2 de nov-2,306:18:2514°O06:20:3524°SO06:23:2310°Svisível
3 de nov-3,205:33:1341°SO05:33:1341°SO05:36:1910°SSEvisível
4 de nov-1,104:48:0616°SE04:48:0616°SE04:48:5510°SEvisível
5 de nov-1,205:36:0411°SSO05:36:0411°SSO05:36:1710°SSOvisível
9 de nov-1,519:04:2510°S19:05:2616°S19:05:2616°Svisível
10 de nov-1,618:17:5810°SSE18:19:3313°SE18:20:1012°ESEvisível
10 de nov-0,719:52:3510°OSO19:53:0914°OSO19:53:0914°OSOvisível
 
(para localizações aproximadas de 41.1756ºN, 8.5493ºW)

 
Como usar esta grelha

Coluna Data - data da passagem da Estação;
Coluna Brilho/Luminosidade (magnitude) - Luminosidade da Estação (quanto mais negativo for o número maior é o brilho);
Coluna Hora - hora de início, do ponto mais alto e do fim da passagem;
Coluna Altitude - altitude medida em graus tendo o horizonte como ponto de partida 0º;
Coluna Azimute - a direção da Estação tendo o Norte geográfico como ponto de partida.

Fonte: http://www.heavens-above.com/



Vídeo do Mês




Exoplanetas

(Quando necessário, para ativar as legendas automáticas proceder do seguinte modo: no canto inferior direito clicar no símbolo "roda dentada"; abrem-se as Definições; clicar aí e escolher Legendas; depois clicar em Traduzir Automaticamente; finalmente escolher Português na lista.)


Imagem do Mês

O assombroso flare de Cefeu
   


     Formas assustadoras parecem assombrar esta extensão empoeirada, flutuando pela noite na real constelação de Cefeu. Claro que as formas são nuvens de poeira cósmica visíveis sob a fraca luz das estrelas. Longe da sua zona, elas espreitam por cima do plano da Via Láctea, na borda do complexo de nuvens moleculares do Flare de Cefeu, a cerca de 1.200 anos-luz de distância. Com mais de 2 anos-luz de diâmetro e mais brilhante que a maioria das outras aparições fantasmagóricas, a vdB 141 ou Sh2-136 também é conhecida como a Nebulosa do Fantasma. Fica no canto inferior direito da imagem. Dentro da Nebulosa Fantasma há sinais avermelhados e evidentes de núcleos densos colapsando nos estágios iniciais da formação estelar. Com o tom estranho da poeira interestelar refletindo a luz azulada das estrelas jovens e quentes de NGC 7023, a Nebulosa da Íris destaca-se contra a escuridão logo à esquerda do centro da imagem. Nesta ampla imagem telescópica, estes férteis campos de poeira interestelar estendem-se por quase seis luas cheias através do céu.

Fonte: www.nasa.gov



Livro do Mês



Sinopse

Estaremos sozinhos no Universo? O que existe para além da Terra? O Universo é infinito? Quantas galáxias existem? As estrelas vivem para sempre? De onde vimos, afinal? Qual é o nosso lugar no universo?
Estas são algumas das muitas perguntas a que David Sobral tenta responder neste livro fascinante que nos leva numa verdadeira viagem cósmica pelo mundo da astronomia em busca das nossas origens. Astrónomo e astrofísico português na área da Astrofísica extragaláctica e cosmologia observacional e professor associado de Astrofísica na Universidade de Lancaster, no Reino Unido, David Sobral descobriu em 2015 a galáxia CR7, a mais luminosa do Universo primordial.
Há cerca de 110 anos achávamos que só existia uma galáxia no Universo, a nossa. Hoje sabemos que existem mais de 2 biliões de galáxias. Em 1995 não conhecíamos um único planeta fora do nosso sistema solar a rodar à volta de uma outra estrela. Desde então, descobriram-se mais de 4 mil, e identificaram-se, até, candidatos a planetas como a Terra, com distâncias das suas estrelas que os podem tornar potencialmente habitáveis. Hoje, sabemos mais, mas há ainda tanto por descobrir.
Embarque nesta viagem extraordinária em direção ao céu e para além dele em busca do nosso lugar no Universo.

Sobre o autor:



 David Sobral é um astrónomo e astrofísico português na área da Astrofísica extragaláctica e cosmologia observacional e professor associado (Reader) de Astrofísica na Universidade de Lancaster no Reino Unido. Licenciou-se em Física, pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em 2007. De 2007 a 2011 fez o doutoramento em Astrofísica na Univer sidade de Edimburgo com uma bolsa internacional de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia; a sua tese foi distinguida pela Royal Astronomical Society como a segunda melhor do Reino Unido em Astronomia/Astrofísica em 2011. Em 2011 foi-lhe oferecida uma importante NOVA fellowship no Observatório de Leiden na Holanda, seguida de um financiamento «Veni» para os melhores cientistas juniores a trabalhar na Holanda. De 2014 a 2016 foi investigador auxiliar e professor no Observatório Astronómico de Lisboa/FCUL, e em 2016 mudou-se para Lancaster, Reino Unido, como professor auxiliar (Lecturer). De 2014 a 2017 foi o representante de Portugal no comité de Utilizadores do Observatório Europeu do Sul (ESO) e é membro da direção da Sociedade Portuguesa de Astronomia desde 2015. Em 2015 liderou a descoberta da galáxia mais brilhante no Universo primordial, a COSMOS Redshift 7 (CR7) e, desde então, descobriu centenas a milhares de novas galáxias seme lhantes utilizando os maiores telescópios como verdadeiras máquinas do tempo. Venceu vários prémios nacionais e internacionais, incluindo um financiamento «VENI» de 250 000 euros na Holanda, um contrato investigador FCT na sua primeira edição de 2012/2013, o Prémio «Novos» 2016 em Ciência e o Prémio «Rosto do ano 2015».




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