Julho 2026

                                                              







Julho de 2026













O parasita que manipula as nossas mitocôndrias


Esta ilustração artística retrata o protista Toxoplasma gondii, um parasita unicelular para o qual os mamíferos (gatos e humanos) são hospedeiros intermediários. O parasita multiplica-se no hospedeiro, e o hospedeiro desenvolve toxoplasmose.


    Transmitido pelos gatos e presente em carnes mal passadas ou vegetais mal lavados, o parasita Toxoplasma gondii pode causar graves malformações congénitas quando contraído durante a gravidez. A equipa de Lena Pernas, do Instituto Max Planck de Biologia do Envelhecimento, em Colónia, demonstrou como este parasita prolifera e se desenvolve no interior do hospedeiro, sequestrando a maquinaria celular e explorando dois tipos de organelos: as mitocôndrias, que produzem a energia necessária à célula, e os lisossomas, que, graças ao seu pH altamente ácido, digerem e reciclam os resíduos.
    Ao entrar nas células, o parasita T. gondii envolve-se numa membrana denominada «vacúolo parasitóforo», que o protege parcialmente da vigilância celular. Ao examinar células humanas infetadas pelo parasita ao microscópio, os biólogos observaram que este vacúolo se ligava à membrana mitocondrial e a fazia brotar, seguindo-se a libertação de compartimentos derivados da membrana mitocondrial contendo o material genético do agente patogénico e chamadas de spots (Structures positive for outer mitochondrial membrane).   
    Lena Pernas e a sua equipa esperavam ver essas spots degradadas e recicladas pelos lisossomas. No entanto, ocorre o cenário oposto: as spots internalizam os lisossomas. Os investigadores mostraram que o parasita sequestra marcadores celulares, o que permite que os spots interiorizem os lisossomas. Quando essa interiorização é bloqueada, a proliferação de T. gondii no interior da célula diminui, sugerindo que este processo de sequestro promove o desenvolvimento do parasita, embora os mecanismos subjacentes ainda não sejam totalmente compreendidos. Será que este novo mecanismo de utilização da maquinaria celular pelo parasita poderá ser um alvo para o combater?
Fonte: Pour la Science, n.º 585, julho de 2026, p. 13
Marguerite Jamet (adaptado)


   
Chimpanzés com estilo
´
Várias pinturas realizadas pelos chimpanzés Zamba, Misaki e Tsubaki, com os seus estilos diferentes.


    O pontilhismo de Seurat, o cubismo de Braque… A lista de movimentos e estilos artísticos é longa, e provavelmente podemos segui-los até aos nossos antepassados ​​Homo sapiens, quando começaram a decorar paredes. E porque não ir ainda mais longe, até às espécies que antecederam a nossa? Para traçar as origens da arte, Cédric Sueur, da Universidade de Estrasburgo, e os seus colegas estudaram as práticas de desenho de seis chimpanzés, que acompanharam durante oito anos. No total, foram analisados ​​mais de 500 trabalhos. 
    Sabemos desde a década de 80, do século XX, que os macacos apreciam esta prática, sem procurar qualquer recompensa, e que dedicam especial atenção à escolha das cores e à disposição das marcas deixadas à superfície. Portanto, não se trata de um comportamento aleatório. E quanto à sua individualidade?
    A análise estatística (mais precisamente, a análise de componentes principais) do conjunto de desenhos revelou três dimensões gráficas particularmente proeminentes: composição, cor e forma. Por exemplo, Zamba prefere pontos, Misaki cobre a folha com grandes leques coloridos e Tsubaki concentra-se no centro. No total, cada chimpanzé exibe uma personalidade única nos seus desenhos, um estilo distinto. 
    Além disso, à medida que foram crescendo, os seis macacos tendiam a ocupar cada vez mais espaço e a usar mais cores... E, surpreendentemente, a variabilidade sazonal é também evidente em cada primata: as suas obras são menos elaboradas no Inverno, como se, diz Cédric Sueur, «o seu humor, a sua energia, o seu estado interior se refletissem nas suas obras»; da mesma forma que o suicídio do seu amigo explica em parte a melancolia que marca o Período Azul de Picasso… cujo génio pictórico tem raízes muito mais profundas
do que se pensava anteriormente.

Fonte: Pour la Science, n.º 585, julho de 2026, p. 9
Loïc Mangin (adaptado)






Julho

Uma atmosfera inesperada 


    A estrela 2002 XV93, um mundo gelado de 500 Km de diâmetro, localizada para além da órbita de Neptuno, possui uma atmosfera. Na verdade é muito ténue: com uma pressão de 100 a 200 nano bares, é 5  a 10 milhões de vezes menos densa do que a da Terra. Os planetólogos não imaginavam que um corpo tão pequeno e tão afastado do Sol poderia reter uma camada externa de gás. Até agora, Plutão era o único objeto trans neptuniano  onde uma atmosfera pode ser detetada.    


Um robô ouriço-do-mar capaz de escalar



Com as suas 20 patas telescópicas, Argus parece-se mais com um ouriço marinho do que com um robô. Esta estranha máquina, concebida pelos engenheiros da universidade de Duke (E.U.A.), desloca-se muito bem quer na areia, quer em zonas florestais, transporta cargas, resiste à avaria de vários dos seus membros e pode mesmo escalar entre duas paredes verticais. Os seus construtores esperam desenvolver esta arquitetura original para explorar terrenos difíceis, quer na Terra, quer noutros locais fora dela.  


Uma aranha batizada em homenagem aos Pink Floyd



Com um comprimento de apenas 3 a 4 mm, uma nova espécie de aranha colombiana acaba de ser descrita. Batizada Pikelinia floydmuraria, foi-lhe atribuído este nome devido ao seu habitat preferido - as paredes dos edifícios - mas também uma piscadela de olhos deliberada ao álbum The Wall, dos Pink Floyd. Esta pequena caçadora revela-se formidável: captura formigas até seis vezes maiores do que ela!  


Fonte: Science et Avenir, n.º 953/954 - julho/agosto 2026 



O que posso observar no céu de julho?



10 - Auge da chuva de meteoros das Pegasídeos de julho
13 - Lua no perigeu a 354 812 Km da Terra - 08:50
16 - Lua a 1,9ºN de Regulus - 23:24
21 - Lua a 2,3ºN de Spica - 04:21
24 - Lua a 1,6ºS de Antares - 22:00  
25 - Lua no apogeu a 406 163 Km da Terra - 17:45
28 - Auge da chuva de meteoros gama-Dracónidas de julho
31 - Auge da chuva de meteoros alfa-Capricornídeos
31 - Auge da chuva de meteoros delta-Aquáridas do Sul





Fases da Lua em julho


                14 - às 10h 43min - nova

                21 - às 12h 06min - crescente

                29 - às 15h 36min - cheia
       
                07 - às 20h 29min - minguante

            
          










Planetas visíveis a olho nu em julho


MERCÚRIO - Durante este mês só pode ser avistado a partir do dia 25. Nasce a partir das 05:15 e põe-se às 06:23, indo gradualmente nascendo mais cedo e desaparecendo mais tarde.

VÉNUS - Durante este mês pode ser observado a partir do crepúsculo vespertino, a partir das 21:10, indo gradualmente nascendo mais cedo. Põe-se por volta das 23:32, indo ao longo do mês desaparecendo mais cedo. 
 
MARTE - Durante todo este mês pode ser visto a partir das 03:57, no início de julho, indo nascendo gradualmente mais cedo. Põe-se por voltas das 06:05, indo desaparecendo cada vez mais tarde. 

JÚPITER - Pode ser avistado a partir das 21:10, mas apenas até ao dia 5. Põe-se por volta das 22:25 no início do mês e vai gradualmente pôr-se mais cedo. A partir do dia 5 de julho deixa de poder ser observado até ao fim do mês, apenas reaparecendo no dia 15 de agosto.

SATURNO - Pode ser avistado a partir das 01:38 e põe-se por volta das 06:05, no início do mês, nascendo cada vez mais cedo.

Fonte: APP Sky Tonight






(para localizações aproximadas de 41.1756ºN, 8.5493ºW)
DataMagnitudeInícioPonto mais altoFimTipo da passagem
(mag)HoraAlt.Az.HoraAlt.Az.HoraAlt.Az.
1 de jul-1,602:39:0522°NO02:39:5124°NNO02:42:4010°NEvisível
1 de jul-0,704:15:4010°NO04:17:3214°N04:19:2510°NNEvisível
2 de jul-1,801:52:2230°N01:52:2230°N01:54:5310°NEvisível
2 de jul-0,703:27:2210°NO03:29:2115°N03:31:2010°NNEvisível
2 de jul-0,805:04:4410°NNO05:07:0818°NNE05:09:3310°ENEvisível
3 de jul-1,601:05:2924°NNE01:05:2924°NNE01:07:0310°NEvisível
3 de jul-0,802:38:5710°NO02:41:1016°NNO02:43:2310°NNEvisível
3 de jul-0,704:16:5110°NNO04:18:5815°N04:21:0510°NEvisível
4 de jul-1,400:18:1617°NE00:18:1617°NE00:19:1010°NEvisível
4 de jul-1,001:51:0613°ONO01:53:0019°NNO01:55:3210°NNEvisível
4 de jul-0,503:28:5010°NNO03:30:4614°N03:32:4210°NEvisível
4 de jul-1,505:05:2310°NO05:08:2328°NNE05:11:2210°Evisível
4 de jul-1,723:30:0818°ENE23:30:0818°ENE23:31:1210°ENEvisível
5 de jul-1,401:02:5115°ONO01:04:5124°NNO01:07:4110°NEvisível
5 de jul-0,502:40:4010°NO02:42:3214°N02:44:2510°NNEvisível
5 de jul-1,004:17:3310°NNO04:20:1522°NNE04:22:5710°ENEvisível
5 de jul-3,222:36:5210°SSO22:39:5834°SE22:43:0410°ENEvisível
6 de jul-1,900:13:3910°O00:16:4433°NNO00:19:5010°NEvisível
6 de jul-0,501:52:1810°NO01:54:1815°N01:56:1710°NNEvisível
6 de jul-0,703:29:4110°NNO03:32:0518°NNE03:34:2810°ENEvisível
6 de jul-3,205:06:0110°NO05:09:2362°NNE05:12:4310°ESEvisível
6 de jul-2,421:49:3410°S21:52:0720°SE21:54:4110°Evisível
6 de jul-2,823:25:2310°OSO23:28:4049°NNO23:31:5810°NEvisível
7 de jul-0,601:03:4910°NO01:06:0316°NNO01:08:1710°NNEvisível
7 de jul-0,502:41:4510°NNO02:43:5115°N02:45:5710°NEvisível
7 de jul-2,204:18:0710°NO04:21:1939°NNE04:24:3110°Evisível
7 de jul-3,722:37:1610°OSO22:40:3880°NO22:44:0110°NEvisível
8 de jul-0,900:15:1810°ONO00:17:5019°NNO00:20:2210°NNEvisível
8 de jul-0,401:53:4010°NNO01:55:3514°N01:57:3010°NEvisível
8 de jul-1,503:30:1410°NO03:33:1228°NNE03:36:1010°Evisível
8 de jul-3,505:06:5110°ONO05:10:0646°SO05:13:2010°SSEvisível
8 de jul-3,721:49:2110°SO21:52:3959°SE21:55:5910°ENEvisível
8 de jul-1,323:26:4810°O23:29:3824°NNO23:32:2910°NEvisível
9 de jul-0,401:05:2610°NO01:07:1814°N01:09:1010°NNEvisível
9 de jul-1,102:42:2110°NNO02:45:0121°NNE02:47:4110°ENEvisível
9 de jul-3,904:18:4510°NO04:22:0882°SO04:25:3010°SEvisível
9 de jul-1,922:38:2210°O22:41:2833°NNO22:44:3510°NEvisível
10 de jul-0,500:17:0110°NO00:19:0115°N00:21:0110°NNEvisível
10 de jul-0,801:54:2610°NNO01:56:4717°NNE01:59:0910°ENEvisível
10 de jul-3,203:30:4510°NO03:34:0660°NNE03:37:2610°ESEvisível
10 de jul-2,205:08:2210°O05:10:3316°SO05:12:4310°Svisível
10 de jul-2,721:50:0410°OSO21:53:2150°NNO21:56:3910°NEvisível
10 de jul-0,623:28:2710°NO23:30:4316°NNO23:32:5810°NNEvisível
 

Como usar esta grelha

Coluna Data - data da passagem da Estação;
Coluna Brilho/Luminosidade (magnitude) - Luminosidade da Estação (quanto mais negativo for o número maior é o brilho);
Coluna Hora - hora de início, do ponto mais alto e do fim da passagem;
Coluna Altitude - altitude medida em graus tendo o horizonte como ponto de partida 0º;
Coluna Azimute - a direção da Estação tendo o Norte geográfico como ponto de partida.

Fonte: http://www.heavens-above.com/



Vídeo do Mês




Como se formam os terramotos

(Quando necessário, para ativar as legendas automáticas proceder do seguinte modo: no canto inferior direito clicar no símbolo "roda dentada"; abrem-se as Definições; clicar aí e escolher Legendas; depois clicar em Traduzir Automaticamente; finalmente escolher Português na lista.)


Imagem do Mês


M82: uma galáxia com vento supergalático
        

Porque é que esta galáxia está a soltar fumo vermelho? A M82, que também é conhecida como a galáxia , foi esticada pela passagem recente e muito próxima à grande galáxia espiral M81. No entanto, isto não explica totalmente a origem do gás e poeira que brilham em vermelho. Algumas evidências indicam que esse gás e poeira estão a ser expulsos pelos ventos combinados de partículas emergentes de muitas estrelas, criando no seu conjunto um supervento galáctico. Acredita-se que as partículas de poeira tenham origem no meio interestelar da M82 e que sejam na verdade semelhantes, em tamanho, às partículas de fumo vermelho. O mosaico fotográfico em destaque combina imagens tiradas em luz visível do Telescópio Espacial Hubble e imagens tiradas em luz infravermelha do Telescópio Espacial James Webb. Mostra a galáxia central de cor clara quase na borda do centro da imagem com cores laranja e vermelha intensas, filamentos de gás e poeira estendendo-se tanto para cima como para baixo. Os filamentos estendem-se por mais de 10.000 anos-luz. A Galáxia M82, a uma distância de 12 milhões de anos-luz, é a galáxia mais brilhante no céu em luz infravermelha e pode ser vista em luz visível com um pequeno telescópio em direção à constelação da Ursa Maior.
Fonte: www.nasa.gov



Livro do Mês




Sinopse

    Enquanto botanista, Robin Wall Kimmerer faz perguntas sobre a natureza com as ferramentas da ciência. Enquanto membro da Nação Potawatomi, partilha a ideia de que plantas e animais são os nossos mais antigos professores.
    Neste livro, a autora une essas duas lentes de conhecimento para nos guiar numa «viagem que é tão mítica quanto científica, tão sagrada quanto histórica, tão inteligente quanto sábia», nas palavras de Elizabeth Gilbert, autora de Comer, Orar, Amar.
    Baseando-se na sua vida como cientista, indígena, mãe e mulher, a autora mostra-nos como outros seres vivos nos oferecem dádivas e lições importantes, mesmo que nos tenhamos esquecido de como ouvir as suas vozes.
    Numa densa trama de reflexões, que vão da criação de Ilha da Tartaruga às forças que ameaçam hoje o seu crescimento, Robin Wall Kimmerer desenvolve a sua ideia central: o despertar de uma consciência ecológica requer o reconhecimento e a celebração da nossa relação recíproca com o resto do mundo vivo.
    Só quando conseguirmos ouvir as línguas de outros seres seremos capazes de entender a generosidade da terra e aprender a retribuir da mesma forma.
    A Sabedoria da Terra está destinado a ser um clássico da escrita sobre a natureza.

Sobre a autora:



    Robin Wall Kimmerer é cientista, escritora e professora emérita de Biologia Ambiental na Universidade do Estado de Nova Iorque. É autora do bestseller A sabedoria da Terra e de Gathering Moss, distinguido com a prestigiada John Burroughs Medal. Foi fundadora do Centro para os Povos Nativos e o Ambiente.
    Os seus interesses abrangem não só a restauração de comunidades ecológicas, mas também a reparação das nossas relações com a terra.

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