Setembro de 2026

                                                                   







Setembro de 2026













Os meteoritos atrasaram a formação dos continentes

O bombardeamento da Terra libertou calor que retardou a formação dos continentes durante 500 milhões de anos.

   O intenso bombardeamento de meteoritos que atingiu a Terra nos seus primeiros 500 milhões de anos teria impedido a formação de continentes e a tectónica de placas como a conhecemos hoje.

    Um oceano magmático até onde a vista alcança, bombardeado com inúmeros meteoritos: esta é a paisagem infernal que foi a do nosso planeta logo após a sua formação, no início do, apropriadamente, chamado período Hadáico (em referência ao Hades, deus do Submundo na Grécia Antiga). Mas muito rapidamente, à medida que a Terra arrefecia, este magma cristalizou e gerou uma primeira crosta semelhante à crosta oceânica atual. No entanto, só no final do período Hadáico, há quase 4 mil milhões de anos, é que os primeiros continentes foram traçados, quase 500 milhões de anos após a formação do planeta. Este atraso no aparecimento da crosta continental ainda é pouco compreendido. Tim Johnson, da Universidade Curtin, na Austrália, e os seus colegas propõem que os impactos dos meteoritos são um mecanismo chave na temporalidade da formação das rochas continentais. Estudar a Terra em momentos tão remotos é uma tarefa assustadora, pois a erosão e a tectónica de placas eliminaram quase todas as suas evidências. Felizmente, a Lua, que não está sujeita a estes processos de remodelação, manteve vestígios dos bombardeamentos anteriores de meteoritos do planeta. Usando dados lunares e modelos estatísticos, os investigadores estimaram a quantidade de impactos de meteoritos na superfície da Terra e a quantidade de de calor associado durante este período. De facto, a energia libertada durante o impacto de um meteorito é parcialmente convertida em calor. A equipa introduziu esta informação em simulações numéricas capazes de descrever a evolução térmica da Terra Hadáica. Resultados: a energia térmica absorvida por estes impactos teria sido pelo menos dez vezes maior do que a energia térmica interna da Terra; as temperaturas mais elevadas do que o esperado teriam levado ao derretimento parcial das rochas em níveis muito mais próximos da superfície (2 a 5 quilómetros de profundidade, comparado com 10 a 15 quilómetros sem considerar a influência dos meteoritos), tornando a crosta demasiado fina e instável para formar continentes. Esta crosta fina teria então sido reciclada de volta para o manto, apagando assim todos os vestígios desse período. Este mecanismo explicaria a quase total ausência de registos rochosos durante o período Hadáico, mas também porque as rochas continentais começaram a formar-se há 3,9 mil milhões de anos, após o fim dos grandes bombardeamentos de meteoritos que afetaram a Terra primitiva.
Fonte: Pour la Science, setembro de 2026, p. 12
Nicolas Butor  (adaptado)


   
Os mundos extraterrestres, paisagens oferecidas a todos

Paisagem de Titã feita por Mike Zawistowski, entusiasta de imagens planetárias, é um técnico de informática a trabalhar por conta própria, a partir de dados fornecidos pela Huygens e com a ajuda do software Terragen (cores adicionadas).

Imagem real da superfície de Titã


A topografia de Titã, a primeira lua extraterrestre a receber uma sonda na sua superfície, foi revelada ao grande público por entusiastas de imagens espaciais.

   Em 14 de janeiro de 2005, às 17h19', os primeiros dados provenientes do objeto mais distante que uma sonda alguma vez tinha examinado tão de perto, Titã, a lua de Saturno, chegavam ao Centro Europeu de Operações Espaciais (Esoc), em Darmstadt, na Alemanha. Após uma viagem de sete anos e 3,5 mil milhões de quilómetros pelo sistema solar, a nave-mãe Cassini tinha ejetado Huygens, uma sonda de 2,7 metros de diâmetro carregada com 318 quilogramas de instrumentos e equipada com um paraquedas. Durante três horas e cinquenta e oito minutos, enquanto atravessava a atmosfera de Titã e aterrava, Huygens transmitiu 474 megabytes de dados. Os cientistas estavam particularmente curiosos com as imagens da sua superfície, normalmente escondida por uma atmosfera muito poeirenta, que tornava a observação telescópica impossível. Seguindo o exemplo da NASA com a sua missão Pathfinder a Marte em 2004, a Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou a sua intenção de disponibilizar, pela primeira vez no seu site, os dados visuais brutos fornecidos por Huygens. Menos de oito horas depois da disponibilização destes dados, antes mesmo de a ESA publicar os seus próprios resultados, uma rede global de entusiastas de imagens espaciais já apresentavam, online, topografias de Titã, a cores e em três dimensões. É certo que Titã ocupa um lugar especial na imaginação coletiva, tal como esta lua inspirou autores de ficção científica, de Kurt Vonnegut a Philip K. Dick. As composições espetaculares produzidas por estes entusiastas de imagens planetárias criaram uma cumplicidade e reforçaram a adesão do público aos programas espaciais. Os responsáveis pela missão Cassini-Huygens admitiram, por seu lado, ter ficado impressionados com as qualidades estéticas destas composições, a ponto de a ESA ter procurado recrutar alguns dos seus autores.

Fonte: Pour la Science, setembro de 2026, p. 66
Charlotte Bigg  (adaptado)





Setembro

1,7 milhões de anos-luz 


   Este é o diâmetro da IC 110, a maior galáxia jamais observada. ou seja, é cerca de 15 vezes maio do que a Via láctea. A sua massa é estimada em 3 400 mil milhões de massas solares. Como vai absorvendo outras galáxias, ela continua a crescer.

O mais próximo do Sol


Turbilhões e ondulações dignas de uma inundação de um rio. Graças ao telescópio solar Daniel K. Inouye, no Havai, os cientistas conseguiram as imagens mais detalhadas alguma vez conseguidas da superfície visível do Sol. Mostram, pela primeira vez, como duas correntes de plasma se enrolam uma à volta da outra, próximas de uma mancha solar, formando gigantescos turbilhões.


Um novo cristal, saído de uma explosão nuclear


Oitenta anos após Trinity, o primeiro ensaio nuclear da história da humanidade, o trinitite - o vidro formado pela fusão da areia sob o efeito da explosão - continua a revelar surpresas. Os cientistas descobriram que ele possui um cristal inédito, composto de cálcio, de cobre e de silício. Formado sob as temperaturas e pressões da detonação, vem esclarecer o nascimento de materiais exóticos aquando de acontecimentos extremos.


Fonte: Science et Avenir, 2026 



O que posso observar no céu de setembro?



01 - Auge da chuva de meteoros Aurigídeos
04 - Lua a 8,4ºN de Aldebaran - 06:00 
06 - Lua no perigeu a 370 671 Km da Terra - 21:26
07 - Lua a 2,9ºS de Pólux - 08:11
09 - Auge da chuva de meteoros epsilon-Perseidas de setembro
13 - Auge da chuva de meteoros Lyncids de setembro
19 - Lua no apogeu a 408 719 Km da Terra - 04:00
19 - Marte a 3,2ºS de Pólux - 04:55
23 - Equinócio de setembro - início do outono - 01:06 
25 - Auge da chuva de meteoros kapa-Leónidas Diurnas





Fases da Lua em setembro


                11 - às 04h 27min - nova

                18 - às 21h 44min - crescente

                26 - às 17h 49min - cheia
       
                04 - às 08h 51min - minguante

            
          










Planetas visíveis a olho nu em setembro


MERCÚRIO - Mercúrio começa o mês muito perto do Sol para poder ser visto. A sua visibilidade melhora ao longo de setembro, mas permanece muito baixo após o pôr-do-sol. Em 12 de setembro, a fina Lua passa por perto e, em 26 de setembro, Mercúrio aparece próximo de Spica (encontra-se entre a constelação do Leão e da Virgem, com uma magnitude de -1,4 a -0,1).

VÉNUS - Vénus permanece muito baixo sobre o horizonte ao anoitecer. Este planeta atinge o seu ponto mais brilhante do ano no final de setembro. Pode encontrar Vénus perto de Spica em 2 de setembro e próximo da Lua crescente em 14 de setembro (encontra-se na constelação da Virgem, com uma magnitude de -4,8). 
 
MARTE - Marte sobe cada vez mais no céu matutino à medida que o mês avança. Em 6 de setembro, aparece perto da Lua minguante e, em 17 de setembro, passa próximo de Pólux (encontra-se entre a constelação dos Gémeos e do Caranguejo, com uma magnitude de 1,1). 

JÚPITER - É fácil localizá-lo antes do nascer do Sol e vai subindo no céu ao longo de setembro. No dia 8 de setembro, aparece ao lado de uma fina Lua minguante (encontra-se entre as constelações do Caranguejo e do Leão, com uma magnitude de -1,8)

SATURNO - Saturno aproxima-se da oposição no início de outubro. Em setembro, nasce no crepúsculo vespertino e permanece visível durante a maior parte da noite. Em 27 de setembro, aparece perto da Lua quase cheia (encontra-se entre as constelações de Peixes e da Baleia, com uma magnitude entre os 0,5 a 0,3).

Fonte: APP Sky Tonight






(para localizações aproximadas de 41.1756ºN, 8.5493ºW)

DataMagnitudeInícioPonto mais altoFimTipo da passagem
(mag)HoraAlt.Az.HoraAlt.Az.HoraAlt.Az.
2 de set-1,304:52:5015°NNO04:54:2620°NNE04:57:0210°ENEvisível
2 de set-3,806:28:1410°NO06:31:3687°SO06:34:5710°SEvisível
3 de set-0,604:07:5215°NE04:07:5215°NE04:09:0610°ENEvisível
3 de set-3,105:40:5210°NO05:44:1057°NNE05:47:2910°ESEvisível
4 de set-2,404:56:0934°N04:56:4137°NNE04:59:4910°Evisível
4 de set-2,806:30:2910°ONO06:33:2528°SO06:36:2010°SSEvisível
5 de set-0,504:11:4512°E04:11:4512°E04:12:0210°Evisível
5 de set-3,605:44:4930°O05:46:0549°SO05:49:1910°SEvisível
6 de set-1,705:00:4721°SE05:00:4721°SE05:02:0210°SEvisível
6 de set-1,221:38:4210°SSO21:39:0012°SSO21:39:0012°SSOvisível
7 de set-2,320:51:5810°S20:54:2519°SE20:54:5618°ESEvisível
7 de set-0,822:27:4110°OSO22:27:5912°OSO22:27:5912°OSOvisível
8 de set-3,821:40:0710°SO21:43:2985°NNO21:43:3284°Nvisível
9 de set-3,720:52:4510°SO20:56:0256°SE20:58:4514°ENEvisível
9 de set-1,022:30:1110°O22:31:4620°ONO22:31:4620°ONOvisível
10 de set-2,221:42:1910°O21:45:2634°NNO21:46:4125°NNEvisível
11 de set-2,920:54:3510°OSO20:57:5251°NNO21:01:1010°NEvisível
11 de set-0,722:33:0110°NO22:34:2315°NNO22:34:2315°NNOvisível
  
Como usar esta grelha

Coluna Data - data da passagem da Estação;
Coluna Brilho/Luminosidade (magnitude) - Luminosidade da Estação (quanto mais negativo for o número maior é o brilho);
Coluna Hora - hora de início, do ponto mais alto e do fim da passagem;
Coluna Altitude - altitude medida em graus tendo o horizonte como ponto de partida 0º;
Coluna Azimute - a direção da Estação tendo o Norte geográfico como ponto de partida.

Fonte: http://www.heavens-above.com/



Vídeo do Mês


Desastre das cheias nos Himalaias explicado: O que desencadeou a catástrofe entre o Nepal e a China?

(Quando necessário, para ativar as legendas automáticas proceder do seguinte modo: no canto inferior direito clicar no símbolo "roda dentada"; abrem-se as Definições; clicar aí e escolher Legendas; depois clicar em Traduzir Automaticamente; finalmente escolher Português na lista.)


Imagem do Mês

O par de eclipses
   


    Os eclipses tendem a acontecer aos pares. Duas vezes por ano, durante uma temporada de eclipses que dura cerca de 34 dias, o Sol, a Lua e a Terra podem ficar quase alinhados. As fases novas e cheias da Lua, separados por pouco mais de 14 dias, criam um eclipse solar e um eclipse lunar. Mas é raro o alinhamento ser tanto na lua nova como na lua cheia, durante uma única temporada de eclipses, e suficientemente perto para produzir um par de eclipses solar total e lunar. Mais frequentemente, os eclipses parciais fazem parte de qualquer estação de eclipses. Mas, a última temporada de eclipses de 2026 produziu esta combinação de um eclipse solar total em 12 de agosto (imagem de cima) e um eclipse lunar quase total na noite de 27 para 28 de agosto (imagem embaixo). Na Lua Nova, o eclipse solar foi capturado em Peñafiel, Espanha, próximo do início da totalidade, nesta imagem composta em HDR, revelando um flash das chamadas "gotas" de Bailey e a coroa solar dourada. Na lua cheia seguinte, o profundo eclipse lunar parcial foi registrado em Sèvres, França. Também num composto em HDR, a imagem mostra o eclipse parcial mais próximo da sua fase máxima de 93%, com cerca de metade do disco lunar visível, a Lua aparece escurecida e avermelhada dentro da sombra umbral da Terra. A próxima temporada de eclipses começará com um eclipse solar anular em 6 de fevereiro de 2027 acompanhado de um eclipse lunar penumbral em 20/21 de fevereiro.


Fonte: www.nasa.gov



Livro do Mês


Sinopse

Ao longo das décadas de 2010 e 2020, os Estados Unidos viram nascer, nos subterrâneos da Internet, uma nova contracultura política de direita radical. As suas figuras centrais, encabeçadas por Curtis Yarvin ou Nick Land, escrevem quase sempre sob pseudónimos em blogues e nas redes sociais. Chamaram a este movimento neorreação, ou Iluminismo das Trevas. As ideias que defendem são simultaneamente antigas e hipermodernas: destruir a democracia, instaurar uma monarquia, governar o Estado como uma empresa, restabelecer as desigualdades entre homens e mulheres, afirmar diferenças entre patrimónios genéticos… de início marginais, foram pouco a pouco ganhando o apoio de alguns bilionários de Silicon Valley, e a sua audiência não parou de aumentar desde então. Com a vitória de Donald Trump em novembro de 2024, consideram ter agora salvo-conduto para fazer da América o laboratório das suas propostas mais radicais.
Esta primeira análise do movimento evidencia a originalidade dos neorreacionários, ao mesmo tempo que os inscreve na longa história das ideias. Dá a ler os seus textos e permite perceber o que — se não estivermos atentos — poderá vir a ser o nosso futuro.

Sobre a autor:


  Nascido em 1997, em Clermont-Ferrand, Arnaud Miranda é investigador e professor de Ciência Política no Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po). Recebeu o Prémio «Jovem Investigador» da Fundação das Treilles em 2024 pela sua tese de história das ideias políticas, intitulada Les pensées contemporaines de la décadence: un imaginaire antidémocratique. Leciona, desde 2019, História das Ideias Políticas e Filosofia na Sciences Po, na Universidade de Versalhes Saint-Quentin e no Instituto Católico de Paris.

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