Maio 2026
Maio de 2026
O efeito de Marte no clima da Terra
Marte tem apenas um décimo da massa da Terra. Contudo, as suas forças gravitacionais podem ser importantes, remodelando subtilmente a órbita da Terra e alterando o seu clima.
A influência da interação gravitacional com outros planetas já é conhecida há muito tempo e, a longo prazo, alterou o clima da Terra via os ciclos Milankovitch. Nos últimos anos, os cientistas propuseram um ciclo de 2,4 milhões de anos para explicar vários padrões, incluindo uma súbita diversificação biológica, tal como a a explosão Câmbrica da vida marinha, há mais de 500 milhões de anos.
Alguns apontam para Marte como o possível motor deste ciclo. Mas Stephen Kane (Riverside, Universidade da Califórnia) e os seu colegas são céticos quanto à possibilidade de Marte exercer um forte influência nos processos terrestres. Por isso conduziram uma série de simulações em computador, para testar estas ideias, publicando os resultados em dezembro passado na Publications of the Astronomical Society of the Pacific.
Estes resultados provaram que estavam errados. Enquanto algumas oscilações orbitais são, em primeiro lugar, originadas por Vénus e Júpiter, Marte desempenha um papel crítico noutras. Quando a equipa removeu Marte das simulações, dois ciclos - um a cerca de 100 000 anos e outro com 2,4 milhões de anos - desapareceram para sempre. Por outro lado, aumentando a massa de Marte fortalece-se estes ciclos.
As simulações também mostraram o efeito de Marte na inclinação axial da Terra. O eixo de rotação do nosso planeta está inclinado cerca de 23.5º na nossa órbita à volta do Sol, mas essa inclinação varia ligeiramente num ciclo de 40 000 anos. Os investigadores descobriram que um Marte mais maciço aumentaria estas variações, estabilizando o eixo da Terra numa escala de tempo maior.
A influência desproporcional de Marte sobre a Terra decorre mais da sua localização do que da sua massa. A força gravitacional do Sol é menor sobre Marte, dando uma maior e surpreendente âmbito de influência - e na qual está incluída a Terra.
Em conjunto, os resultados sugerem que Marte desempenhou um papel subtil, mas consequente na moldagem do clima da Terra, influenciando a habitabilidade e a evolução da vida a longo prazo.
Fonte: Sky & Telescope, Vol. 151, n.º 5, maio de 2026, p. 12
Javier Barbuzano (adaptado)
A "inteligência física" dos pelos da tromba do elefante
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Os pelos da tromba de um elefante, com a sua estrutura complexa, permitem que este recolha múltiplas informações táteis – os investigadores chegam a falar em “inteligência física”.
Sabia que os elefantes têm um bigode passivo? Enquanto os gatos e os ratos conseguem mover ativamente os pelos do focinho para sentir o ambiente envolvente, estes paquidermes
não possuem a musculatura pilosa necessária. No entanto, também parecem usar os pelos que salpicam as suas trombas – cerca de mil no caso do elefante asiático – como um notável órgão sensorial, de acordo com um estudo conduzido pela Andrew Schulz, do Instituto Max Planck para Sistemas Inteligentes, e os seus colegas. Graças à sua estrutura rica e complexa, este bigode de facto, vibra de uma forma particular ao entrar em contacto com objetos, o que transmite uma riqueza de informação sobre estes objetos aos mecanorrecetores localizados na sua base.
Os investigadores realizaram uma série de medições usando microscopia eletrónica e microtomografia de raios X (técnica que revela o interior dos objetos), e depois modelaram o comportamento vibratório dos pelos. Os resultados mostraram variações significativas na rigidez e porosidade. O pelo é, por isso, mais fino e mais flexível na ponta, o que, por um lado, permite que se deforme sem partir ao tocar num objeto e, por outro lado, a “inteligência física” dos pelos da tromba dos elefantes resulta em diferentes vibrações dependendo do ponto de contacto. Além disso, tem uma secção transversal elipsoidal, o que torna estas vibrações mais dependentes das texturas, em comparação com as propriedades esperadas
para uma secção transversal circular. A elevada porosidade da base aumenta finalmente as frequências de vibração, o que aumenta a resolução tátil (quando o pelo desliza sobre uma superfície rugosa, as microirregularidades na textura desencadeiam uma rápida sucessão de eventos vibratórios, que são mais fáceis de discriminar se as frequências de vibração forem elevadas).
Este comportamento mecânico, altamente dependente do objeto em contacto, provavelmente, confere aos elefantes um elevado grau de sensibilidade tátil, o que
os ajuda a distinguir objetos —por exemplo, a reconhecer alimentos — bem como a agarrá-los e manipulá-los delicadamente. Isso certamente ajuda a restaurar a reputação do pelo: um símbolo de preguiça quando está na mão, é quase sinónimo de “inteligência física” — para usar os termos dos investigadores — quando está na tromba.
Fonte: Pour la Science, n.º 583, abril de 2026, p. 10
G. J. (adaptado)
Uma equipa asiática apresentou, em vídeo, um robô humanoide capaz de trocar bolas com um humano graças a uma inédita aprendizagem. A máquina, treinada a partir de fragmentos de movimentos humanos recompostos por IA, consegue coordenar movimentos e batidas com uma destreza que ilustra os progressos da robótica.
Dart alterou o percurso de um asteróide
Em 2022, a sonda Dart, da NASA, atingiu voluntariamente o asteróide Dimorphos para testar uma técnica de defesa planetária. O impacto retardou em 33 minutos o período orbital desta pequena Lua à volta do seu companheiro Dídimos, cinco vezes maior. Novas observações mostram que o impacto também modificou a órbita deste sistema binário à volta do Sol. O seu período de 770 dias foi reduzido, com efeito, em 0,15 segundos. Uma variação ínfima que valida entretanto a nossa capacidade para alterar a trajetória de objetos celestes ameaçadores.
O brilho elétrico das árvores durante as tempestades
Há árvores que "brilham" durante as tempestades: o fenómeno, que se suspeitava desde há mais de um século, acaba de ser observado pela primeiro vez graças a câmaras UV (ultravioleta). Estas revelaram fracas descargas elétricas, chamadas "coroas", na extremidade das folhas. Invisíveis a olho nu, estes micro-brilhos formam-se quando o campo elétrico de uma tempestade se intensifica à volta dos cumes das montanhas.
Fonte: Science et Avenir, n.º 951 - maio 2026
O que posso observar no céu de maio?
4 - Lua a 1,18º S de Antares - 04:05
4 - Lua no apogeu a 406 063 Km da Terra - 23:30
6 - Auge das chuva de meteoros da eta-Aquáridas
6 - Auge da chuva de estrelas ómega-Cetids Diurnos do Norte
11 - Auge das chuva de meteoros da eta-Líridas
15 - Lua a -3,9º N de Marte - 01:44
17 - Lua no perigeu a 351 965 Km da Terra - 14:48
19 - Lua a -2º N de Vénus - 02:50
22 - Lua a 1,14º N de Júpiter - 23:06
23 - Lua a 1,81º N de Júpiter - 00:13
23 - Conjunção Vénus, Plêiades - 20:57
24 - Auge da chuva de meteoros pi-Pupídeos
26 - Lua a 0,93º S de Regulos - 01:37
Fases da Lua em maio
16 - às 21h 01min - nova
23 - às 12h 11min - crescente
23 - às 12h 11min - crescente
01 e 31 - às 18h 23min e às 09:45 - cheia
09 - às 22h 11min - minguante
Planetas visíveis a olho nu em maio
MERCÚRIO - Neste mês só pode ser visível a partir do dia 24 de maio. Nasce às 20:54 e põe-se entre as vinte e duas horas do dia 24.
VÉNUS - Durante este mês pode ser observado a partir do crepúsculo vespertino, a partir das 20:30, indo gradualmente nascendo mais tarde. Põe-se no início do mês por volta das 22:52, para no fim do mês se pôr por volta das 23:39.
MARTE - Durante todo este mês pode ser visto no crepúsculo matutino a partir das 5:43 e indo nascendo gradualmente mais cedo. Põe-se no início do mês por voltas das 6:22, para no final do mês desaparecer por volta das seis da manhã..
JÚPITER - Pode ser avistado ao fim da tarde, a partir das 20:30, no início do mês, indo gradualmente nascendo mais tarde. Põe-se por volta da 01:48 no início do mês e vai gradualmente pôr-se mais cedo.
SATURNO - Pode ser avistado a partir do crepúsculo matutino a partir das 5:26 e põe-se por volta das 06:32, no início do mês, nascendo e pondo-se cada vez mais cedo.
Fonte: APP Sky Tonight
(para localizações aproximadas de 41.1756ºN, 8.5493ºW)
| Data | Magnitude | Início | Ponto mais alto | Fim | Tipo da passagem | ||||||
| (mag) | Hora | Alt. | Az. | Hora | Alt. | Az. | Hora | Alt. | Az. | ||
| 1 de mai | -1,0 | 03:48:57 | 14° | NNO | 03:49:39 | 15° | N | 03:51:43 | 10° | NNE | visível |
| 1 de mai | -0,9 | 05:25:13 | 10° | NNO | 05:27:28 | 17° | NNE | 05:29:45 | 10° | NE | visível |
| 2 de mai | -0,6 | 03:03:01 | 15° | N | 03:03:01 | 15° | N | 03:04:15 | 10° | NNE | visível |
| 2 de mai | -0,8 | 04:37:44 | 10° | NNO | 04:39:44 | 15° | N | 04:41:45 | 10° | NE | visível |
| 3 de mai | -0,7 | 03:50:07 | 10° | NNO | 03:51:59 | 14° | N | 03:53:50 | 10° | NE | visível |
| 3 de mai | -1,4 | 05:26:49 | 10° | NO | 05:29:40 | 25° | NNE | 05:32:32 | 10° | E | visível |
| 4 de mai | -0,7 | 03:04:04 | 14° | N | 03:04:12 | 14° | N | 03:06:04 | 10° | NNE | visível |
| 4 de mai | -1,0 | 04:39:25 | 10° | NNO | 04:41:59 | 20° | NNE | 04:44:32 | 10° | ENE | visível |
| 5 de mai | -0,2 | 02:18:08 | 11° | NNE | 02:18:08 | 11° | NNE | 02:18:27 | 10° | NNE | visível |
| 5 de mai | -0,8 | 03:51:59 | 10° | NNO | 03:54:14 | 16° | NNE | 03:56:29 | 10° | NE | visível |
| 5 de mai | -2,8 | 05:28:19 | 10° | NO | 05:31:37 | 51° | NNE | 05:34:55 | 10° | ESE | visível |
| 6 de mai | -0,7 | 03:05:16 | 13° | NNO | 03:06:27 | 15° | N | 03:08:26 | 10° | NE | visível |
| 6 de mai | -2,0 | 04:40:53 | 10° | NO | 04:44:00 | 34° | NNE | 04:47:07 | 10° | E | visível |
| 7 de mai | -0,4 | 02:19:38 | 13° | NNE | 02:19:38 | 13° | NNE | 02:20:28 | 10° | NE | visível |
| 7 de mai | -1,4 | 03:53:27 | 10° | NO | 03:56:19 | 25° | NNE | 03:59:10 | 10° | E | visível |
| 7 de mai | -3,7 | 05:30:00 | 10° | ONO | 05:33:18 | 56° | SO | 05:36:37 | 10° | SE | visível |
| 7 de mai | -3,6 | 22:12:58 | 10° | SO | 22:16:12 | 48° | SE | 22:16:47 | 42° | ESE | visível |
| 8 de mai | -1,0 | 03:07:33 | 17° | N | 03:08:34 | 20° | NNE | 03:11:07 | 10° | ENE | visível |
| 8 de mai | -3,8 | 04:42:24 | 10° | NO | 04:45:46 | 84° | NE | 04:49:08 | 10° | SE | visível |
| 8 de mai | -2,8 | 21:25:50 | 10° | SSO | 21:28:43 | 28° | SE | 21:31:38 | 10° | ENE | visível |
| 8 de mai | -2,3 | 23:02:17 | 10° | O | 23:05:26 | 37° | NNO | 23:08:15 | 12° | NE | visível |
| 9 de mai | -0,4 | 00:40:55 | 10° | NO | 00:41:24 | 12° | NO | 00:41:24 | 12° | NO | visível |
| 9 de mai | -3,0 | 03:57:14 | 37° | NNO | 03:58:09 | 51° | NNE | 04:01:27 | 10° | ESE | visível |
| 9 de mai | -2,3 | 05:32:15 | 10° | O | 05:34:42 | 19° | SO | 05:37:10 | 10° | S | visível |
| 9 de mai | -3,2 | 22:14:29 | 10° | OSO | 22:17:47 | 58° | NNO | 22:21:06 | 10° | NE | visível |
| 9 de mai | -0,8 | 23:52:49 | 10° | ONO | 23:55:07 | 17° | NNO | 23:57:24 | 10° | NNE | visível |
| 10 de mai | -2,0 | 04:49:02 | 19° | S | 04:49:02 | 19° | S | 04:50:17 | 10° | SSE | visível |
| 10 de mai | -3,8 | 21:26:49 | 10° | SO | 21:30:10 | 85° | SE | 21:33:31 | 10° | NE | visível |
| 10 de mai | -1,1 | 23:04:42 | 10° | ONO | 23:07:18 | 21° | NNO | 23:09:56 | 10° | NNE | visível |
Como usar esta grelha
Coluna Data - data da passagem da Estação;
Coluna Brilho/Luminosidade (magnitude) - Luminosidade da Estação (quanto mais negativo for o número maior é o brilho);
Coluna Hora - hora de início, do ponto mais alto e do fim da passagem;
Coluna Altitude - altitude medida em graus tendo o horizonte como ponto de partida 0º;
Coluna Azimute - a direção da Estação tendo o Norte geográfico como ponto de partida.
Coluna Azimute - a direção da Estação tendo o Norte geográfico como ponto de partida.
Fonte: http://www.heavens-above.com/
São como picos de montanhas, mas estão a formar-se estrelas. Formas onduladas com bordas brilhantes agrupam-se perto do centro deste rico campo estelar, em direção às bordas das constelações náuticas do sul, Puppis e Vela . Composto de gás e poeira interestelar, o agrupamento de glóbulos cometários do tamanho de um ano-luz está a cerca de 1300 anos-luz de distância. A luz ultravioleta de estrelas quentes próximas moldou os glóbulos e ionizou as suas bordas brilhantes. Os glóbulos também se afastam do remanescente de supernova Vela, o que pode ter influenciado as suas formas alongadas. Dentro deles, núcleos de gás e poeiras frias provavelmente estão colapsando para formar estrelas de baixa massa, cuja formação acabará por causar a dispersão dos glóbulos . De facto, o glóbulo cometário CG 30 (canto superior direito do grupo) exibe um pequeno brilho avermelhado no seu interior, um sinal revelador de jatos energéticos de uma estrela nos estágios iniciais de formação .Fonte: www.nasa.gov
Vídeo do Mês
O novo acelerador de partículas CEP (Collision Électron Positon)
(Quando necessário, para ativar as legendas automáticas proceder do seguinte modo: no canto inferior direito clicar no símbolo "roda dentada"; abrem-se as Definições; clicar aí e escolher Legendas; depois clicar em Traduzir Automaticamente; finalmente escolher Português na lista.)
Imagem do Mês
CG 30: Glóbulos comentários
Livro do Mês
Sinopse
Quais são os ingredientes elementares do mundo? O tempo e o espaço existem? E o que é exatamente a realidade? O físico teórico Carlo Rovelli tem passado a vida a explorar estas questões e, neste livro fascinante, conta como a nossa compreensão da realidade mudou ao longo dos séculos e como os físicos encaram a estrutura do Universo nos dias de hoje.
Com uma prosa elegante e acessível, Rovelli conduz o leitor ao longo de uma extraordinária viagem, de Demócrito a Einstein, de Michael Faraday às ondas gravitacionais e da física clássica ao seu próprio trabalho em gravidade quântica.
Em A Realidade Não É o que Parece, percebemos de que forma a ideia de realidade evoluiu ao longo do tempo, mas este notável livro convida-nos também a imaginarmos um mundo maravilhoso, no qual o espaço se fragmenta em minúsculos grãos, o tempo desaparece nas menores escalas e os buracos negros esperam para explodir - um vasto Universo ainda em grande parte por descobrir.
A obra fundamental de Rovelli sobre tempo, espaço e matéria.
Sobre a autor:
Carlo Rovelli é físico teórico, criador de uma das principais linhas de investigação sobre gravidade quântica, e membro do Instituto Universitário de França e da Academia Internacional de Filosofia das Ciências. Com vários livros publicados na área, Rovelli é atualmente, responsável pelo Departamento de Física Teórica da Universidade de Aix- Marseille. Sete breves lições de Física trouxe-lhe a merecida admiração de curiosos e académicos e tornou-se um inesperado fenómeno de vendas em todo o mundo.

















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